domingo, 12 de agosto de 2007

A Chuva Cai No Pára-Brisa Do Carro Quando Estamos Longe de Casa

Bang, bang. Foi assim, com um impacto duro e seco. Eu olhei pelo retrovisor e de repente a porta se abriu. Com a maquiagem borrada ela sempre foi mais interessante. Ficamos em silêncio alguns minutos, antes de sair pelas ruas escutando os ruídos da madrugada, vendo a Lua feita-de-papel estampada no céu, num abuso insolente. Enquanto isso ela examinava as unhas, nervosa demais para pensar. O que se passava em sua tumultuada alma? Passional do seu jeito, me pediu para estacionar em qualquer lugar, e caminharmos um pouco. O que eu peço é só um pouco do seu calor pra mim, ela sussurrou quando já estávamos mais próximos, confidentes provisórios de nossas fraquezas expostas. Engraçado como a bebida faz você caminhar com passos calculados, comentei meio sorrindo. Foi o bastante para ela chorar baixinho com os braços me apertando o corpo, com medo talvez de simplesmente desaparecer sem deixar rastro. Com medo de virar poeira cósmica, perdida entre as estrelas. Sem ninguém que a ouvisse, sem promessas para cumprir.

4 comentários:

Isaque De Moura. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Isaque De Moura. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Isaque De Moura. disse...

Olá meu nobre. Vim aqui recomendado por meu aficionado primo Eduardo Viana. Tenho de confessar que fiquei fascinado com seus excelentíssimos textos. Continue com este belíssimo trabalho. Será difícil encontrar alguém que supere poemas tão inauditos como estesos quais acabo de ler. Obrigado por satisfazer-me com esta leitura.

Eduardo Viana disse...

Esses são seus mais novos escritos? São surpreendentes, espero que continue com sua evolução de sensibildade.