Hoje eu acordei cinza
com a vontade urgente
de trazer ao corpo
o que passa aqui dentro
antes que a pele morta
deixe a carne exposta
à fragilidade da luz.
sábado, 29 de setembro de 2007
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Black Paintings
Era o ano de 1969, e fazia um calor horrível lá fora. Ela escutara os seus discos dos Beatles enquanto anotava a conversa que tivera com o pai no diário. Agora, deitada na cama esperando o jantar, pensava na morte e isso lhe bastava. Muitas fantasias se formavam, sem aparência, e emparelhavam num desfile negro diante de seus olhos. Às cores chegavam o canto da janela mal iluminado pelos riscos de sol que penetravam a folhagem da árvore próxima à casa. Não saberia conceber detalhes de sua vigília macabra, mas resistia aos pontos cinzas que se tornavam negros e densos, permanentes. O caráter divergente nõa lhe interessava propriamente; queria apenas manter o controle, por menor que fosse. Pois não contava com o avanço das horas, e até que todas as luzes da casa estivessem acesas, bem como o poste defronte, não aquietou-se com o falatório de seus pequenos fantasmas, que vieram a esconder-se em sua mente afastada dos mistérios da fé. Propôs diálogos retóricos, mas eles se manifestavam através de ruídos falsos que pouco a pouco lhe ensurdeceram os ouvidos. Por isso, não escutando o chamado insistente da mãe para o jantar, permaneceu deitada, na execução de sua sinfonia cerebral.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Janet Out Of Janet
Todo gênio furta-cor
nos seus lábios rosados,
o que poderia sentir?
Neste céu agreste
que desenho em sua boca
(com o traçado imaginado)
para a hora de fugir.
Porque a queixa da instância
revela-se um passado misterioso
que antevejo no seu destino
e farta-se a consigo sorrir:
sua forma de prazer
que de maneira muito própria
expõe-se em breve, por vir.
nos seus lábios rosados,
o que poderia sentir?
Neste céu agreste
que desenho em sua boca
(com o traçado imaginado)
para a hora de fugir.
Porque a queixa da instância
revela-se um passado misterioso
que antevejo no seu destino
e farta-se a consigo sorrir:
sua forma de prazer
que de maneira muito própria
expõe-se em breve, por vir.
domingo, 23 de setembro de 2007
Speech: Take 3
- Caroooool - diz:
e tu?
Rafael - diz:
dediquei meu dia ao ócio.
Rafael - diz:
nem terminei o livro que estou lendo. mesmo faltando só 40 páginas
- Caroooool - diz:
aquele enoooorme?
Rafael - diz:
sim =)
Rafael - diz:
tô triste por estar perto do fim.
Rafael - diz:
tipo, me apeguei muito aos personagens
- Caroooool - diz:
hauahauahauahauaauahauahaua
- Caroooool - diz:
cara, acredito não xP
- Caroooool - diz:
só tu mesmo.. tem livro que eu gosto, mas tem hora que não agüento mais ler
Rafael - diz:
ah, mas depois de 405 páginas não tem como não criar um vínculo com os personagens... Tornam-se próximos, parecem pessoas que me passam a sensação que as conheço muito bem.
- Caroooool - diz:
e o livro deve ser muito bom tb ^^
Rafael - diz:
demais
Rafael - diz:
Ian McEwan é o cara
- Caroooool - diz:
não conheço, mas se você diz.. eu confio ^^
- Caroooool - diz:
esse ano só li coisas relacionadas ao budismo..
- Caroooool - diz:
Rafael - diz:
que coisa boa
Rafael - diz:
minha religião é apagada de conceitos estudados
Rafael - diz:
só os vividos
- Caroooool - diz:
é.. tem um ensinamento de Buda que ele fala pra você não se prender as tradições.. aos textos.. as escrituras sagradas.. e tal
- Caroooool - diz:
gosto disso
- Caroooool - diz:
mas ainda acho indispensável estudar
Rafael - diz:
sempre é.
Rafael - diz:
só nunca pensei em encarar minha religião como fundamento intelectual.
- Caroooool - diz:
assim.. tua religião tem nome ou você a fez.. seguindo os teus princípios e crenças?
Rafael - diz:
minha religião, em tese, é a católica. não só por criação como por opção, mesmo. mas não compactuo com a maioria de seus preceitos
- Caroooool - diz:
entendo =T
- Caroooool - diz:
não me considero mais católica..
- Caroooool - diz:
mas tb não sou budista
- Caroooool - diz:
enfim.. tô numa fase de conflito
Rafael - diz:
acho que a humanidade caminha para isso
Rafael - diz:
cada homem vai buscar sua própria fé
Rafael - diz:
cada um vai se apropriar dos preceitos com os quais sente uma ligação, os quais encare como Verdade
- Caroooool - diz:
é.. vai ficar uma mistureba
- Caroooool - diz:
hauahauahauaahauahauaha
Rafael - diz:
uma miscelânea
e tu?
Rafael - diz:
dediquei meu dia ao ócio.
Rafael - diz:
nem terminei o livro que estou lendo. mesmo faltando só 40 páginas
- Caroooool - diz:
aquele enoooorme?
Rafael - diz:
sim =)
Rafael - diz:
tô triste por estar perto do fim.
Rafael - diz:
tipo, me apeguei muito aos personagens
- Caroooool - diz:
hauahauahauahauaauahauahaua
- Caroooool - diz:
cara, acredito não xP
- Caroooool - diz:
só tu mesmo.. tem livro que eu gosto, mas tem hora que não agüento mais ler
Rafael - diz:
ah, mas depois de 405 páginas não tem como não criar um vínculo com os personagens... Tornam-se próximos, parecem pessoas que me passam a sensação que as conheço muito bem.
- Caroooool - diz:
e o livro deve ser muito bom tb ^^
Rafael - diz:
demais
Rafael - diz:
Ian McEwan é o cara
- Caroooool - diz:
não conheço, mas se você diz.. eu confio ^^
- Caroooool - diz:
esse ano só li coisas relacionadas ao budismo..
- Caroooool - diz:
Rafael - diz:
que coisa boa
Rafael - diz:
minha religião é apagada de conceitos estudados
Rafael - diz:
só os vividos
- Caroooool - diz:
é.. tem um ensinamento de Buda que ele fala pra você não se prender as tradições.. aos textos.. as escrituras sagradas.. e tal
- Caroooool - diz:
gosto disso
- Caroooool - diz:
mas ainda acho indispensável estudar
Rafael - diz:
sempre é.
Rafael - diz:
só nunca pensei em encarar minha religião como fundamento intelectual.
- Caroooool - diz:
assim.. tua religião tem nome ou você a fez.. seguindo os teus princípios e crenças?
Rafael - diz:
minha religião, em tese, é a católica. não só por criação como por opção, mesmo. mas não compactuo com a maioria de seus preceitos
- Caroooool - diz:
entendo =T
- Caroooool - diz:
não me considero mais católica..
- Caroooool - diz:
mas tb não sou budista
- Caroooool - diz:
enfim.. tô numa fase de conflito
Rafael - diz:
acho que a humanidade caminha para isso
Rafael - diz:
cada homem vai buscar sua própria fé
Rafael - diz:
cada um vai se apropriar dos preceitos com os quais sente uma ligação, os quais encare como Verdade
- Caroooool - diz:
é.. vai ficar uma mistureba
- Caroooool - diz:
hauahauahauaahauahauaha
Rafael - diz:
uma miscelânea
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Untitled - I
Eu me proponho a ser teu próximo vício, e, depois, tua terapia ocupacional. Teu spa. Tenho e vejo tua carne sobre a carne, sondando. Teus ossos inquebráveis, violentamente reprimidos sob a pele seca. Ou sequiosa? Ora revelo ou escondo na mão um refúgio, na timidez sincera, para o tom vermelho do céu, presságio mascarado do calor de setembro. Esse calor que rouba teu juízo, te entregando para mim.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Concepção - Parte 2
Fui aprendendo a distinguir o peso do céu no final da tarde à medida que assimilava o sentido de perda em minha vida. Em como me expunha fácil... E usava palavras fora do meu caráter. De que modo seria mais coerente comigo? Como deixaria o demônio longe com suas provocações? Na perspectiva do tempo, eu estaria três ou cinco anos mais velho por dentro do que tudo o que acontecia do lado de fora. Isolado numa fortaleza de enganos contínuos e precipitações, era acuado pela realidade que soprava sobre os muros, às vezes por horas seguidas. Mas o desejo de escapar sem os horrores vicejantes na pele era implacável, e eu passava mais uma noite em sono profundo. Desejo vão. Inconscientemente, dormia até de mim, para acordar tomado pela surpresa que as experiências são sempre maiores do que vemos através dos olhos: é preciso ir além de si; sem medo.
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Concepção - Parte 1
Alguns romanos dormiam quando a cidade foi tomada pelo fogo. O imperador observava o espelho refletindo sua retina desgastada, e nada sabia. Pensava apenas na própria sorte, numa projeção amarga do futuro. Um futuro que nunca lhe aconteceu de fato. Surpreenderia-se Nero com a inversão de papéis que se operaria após o incêndio? Saberia que os palácios mais suscetíveis são os construídos nos limites da compreensão humana?
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Lonely Horses
Fui teu corpo, tuas entranhas, tua lágrima seca no rosto. Fui tua ausência inesperada, nas ruas vazias pela madrugada quente. A boca, porém, não dizia coisa alguma - era o silêncio um espaço entre nós dois. O carro em movimento servia como preâmbulo do amor usado entre as ferragens da memória, deslocada no tempo. Fui teu destino, teu erro ou teu risco: um mapa desnorteando a prudência da vida.
Assinar:
Postagens (Atom)