domingo, 11 de novembro de 2007
Low Vibrations
sábado, 10 de novembro de 2007
Outrora
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Francisco
para o quintal enquanto os olhos compõem
alguma consideração sobre as manchas impregnadas
[na parede.
As manchas estão também em sua alma e não partem,
entristecendo-o na contemplação das folhas pousadas
no chão de terra batida, envolvendo tudo ao redor
num amarelo tênue.
Francisco queda-se na cadeira próxima e sente
o gosto amargo na boca outra vez; tem dificuldade
de respirar dentro do sossego desta manhã.
E como se acorrentado à realidade que nega,
a realidade imponderável que furta-se a questões ou respotsas,
coloca seu descanso matinal a espreitar sombras
fragmentadas pelo sol que se levanta conivente
com as abstrações de Francisco.
Ele se posta sério e calado e vazio entre planos e ambições
sem substância que suas mãos calejadas tentam
modelar buscando formas e contornos acabados;
mas o equilíbrio se quebra com o chamado para o desjejum.
Francisco adentra a cozinha e encontra sua mulher
carregando a louça, indiferente à sua chegada;
sabe que o cansaço destruiu as expectativas que o tempo
não conseguiu sustentar de uma vida menos dolorosa.
O cheiro do café, porém, o desperta para a libido e tentação
e com a boca entreaberta e as mãos inquietas
aproxima-se dela, transmitindo o calor que esquecera
dentro de si, germinando no silêncio.
A mulher, no entanto, percebe o que se passa e volta-se
com seu olhar transparente, sem esboçar reação.
Francisco compreende que é inútil persistir
e sente-se um homem revoltado no seu próprio lar.
A miséria do amor recebido o derrota
e com algum esforço retorna à janela
para observar o céu demasiadamente grande.
Um pássaro solitário parece suspenso no ar
por fios invisíveis a olho nu.
Francisco é tomado por uma vertigem ao imaginar-se
em seu lugar, manipulado ou preso,
e põ-se a gritar, sentindo sua vida saltar o muro,
[ganhando liberdade.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Retrato Em Preto-E-Branco
Nos Subúrbios Da Alma
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Se Você É O Mar
Que se deixa levar na sua fala mansa
Como um naufrágio em águas profundas.
Meu coração é a praia
Que o mar avança
No seu sossego que assusta:
De você me ficou as idéias
Que atracam antes dos barcos
Com as ondas carregadas de saudades.
domingo, 4 de novembro de 2007
Luz E Sombra
que caminha em busca dos rastros do sol
é minha paisagem que revivo
por um dia inteiro.
Os movimentos singulares dos pássaros no céu
dão lições ao meu coração que pulsa devagar,
quase perdido no esquecimento.
O ar que entra queimando os pulmões
é um ensejo para que os olhos se abram
trazendo uma doação sem receios.
sábado, 3 de novembro de 2007
Um Dia Em Tóquio
Descobriremos sob as luzes da cidade
O verdadeiro sorriso do seu coração.
Um dia longe da beleza do óbvio
Nos trará o perfume da eternidade
Que fácil roubará sua atenção.
Um dia, vindo do céu de ópio,
Cansado dos execessos da idade
E convertido na atmosfera em paixão.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
The Genius Of P. Schrader
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Do Rio Que Segue
resignado pelo caminho de pedras.
O leito seco corteja as margens
num rito maduro e quase cego.
E as águas que foram outrora
deram aos peixes que assombram
com suas carcaças de terra
o solo morto desconstruído pelo sol.
Há momentos que uma brisa pesada
asfixia o leito anterior, inexistente,
soprando a umidade que de resto
tomba ao chão, na ruptura do tempo.
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Poética/Ofício
pela fissura da palavra que reteve,
exposta, a transgressão de sua liguagem.
A imagem permaneceu sem expressão
ininterruptamente por todo entardecer
quando o poeta, oblíquo, pôs a quietude
do universo em sua máquina abstrata
e das idéias gerou formas delgadas
que nomeavam a sua própria retidão.
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Letra Som E Numeral
chegaram na acomodação das pedras
entrevi a malha aérea
das correntes de vento
e sorri feito criança na insônia
adivinhada pela esperteza.
Soube depois que não haveria
outro tempo para os jogos
que inventei em você.
Fiz mal em chegar tão tarde?
Ainda posso salvar seus olhos
atrasados para o amor.
domingo, 28 de outubro de 2007
Paralelos
sob a ótica desajeitada
da patomima do amor.
O calor elevado do dia
eriça meus sentidos
para cada certeza
que vaga sem palavra
nos gestos ensaiados:
meus punhos cerrados
na galhardia famosa
do ciúme bobo que pede;
a provar o que não temos,
a negar o que queremos
e eu, relapso, não fiz.
sábado, 27 de outubro de 2007
Círculos Capitais
mesmo quando há impurezas
na textura do azul.
Eu vejo a cidade lenta
dissecar seu conceito de sobreplanejada
em nuances de agressão contemporânea.
Movo olhares
entre as latitudes urbanas
intuindo a paisagem esfumaçada
que retém o trânsito
perturbado por um acidente.
Os mesmos carros tentam
a velha fuga
deixando escapar
as imperfeições em juízo:
rostos duros pelas horas perdidas
e que se valem do luar
em carne viva
reprisado como encenação
da pele doente de suas fantasias.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Poética/Vertentes
Sem compasso sem ritmo
Poesia à sangue-frio
Relatada pela associação
Palavra demarcada
Na manchete de jornal
E como aflora como implora
O jeito de expandir-se
Em sentidos e sensações
A manter o pulso
Calcado na batida do mundo:
Asfalto cocaína depressão
Guerra terror consumo
Pedra sapato avião
A poesia questiona
Sobre partes convexas
Medidas de contraponto
Restos jogados na rua
E devorados na humilhação
De seres humanos vazios
Que, refletindo-se, esvaziam-me,
Restando um opaco refluxo
Da minha condição de poeta.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Se Eu No Seu Olhar, Afinal [Hélice]
que eu não posso opor -
sutileza na forma de prazer
[com os lábios pregados no meu]
diverte-se em espasmos coloridos
retardando a condição
de abrigo para a noite escura
que nos cerca, como agora.
É engraçado como o instantâneo
revelado me deixa tão exposto
às artimanhas tão próprias
de você, um vício perdido
para meu mal.
Pensamentos revertidos de chumbo
o som metálico quando arrastados
pelo asfalto: são desfacelados
quando seus olhos os penetram
e os buscam, na vigília do amor...
Seria esse o nome de sua insensatez?
proposta em seu nome.
Amor, se isto há, se guarda nos dentes,
marcando a língua;
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Eu/Relativo Público
LIMITES
De todas as ruas que escurecem ao pôr-do-sol,
deve haver uma (qual, eu não sei dizer)
em que já passei pela última vez
sem perceber, refém daquele Alguém
que, com antecedência, fixa leis onipotentes,
ajusta uma balança secreta e inflexível
para todas as sombras, formas e sonhos
tecidos na textura desta vida.
Se há um limite para todas as coisas e uma medida
e uma última vez, e nada mais, e esquecimento,
quem nos dirá a quem nesta casa
nós, sem saber, já dissemos adeus?
Pela janela que amanhece a noite se retira
e entre os livros empilhados que lançam
sombras irregulares na mesa baça,
deve haver um que eu jamais lerei.
Há uma porta que você fechou pra sempre
e algum espelho o esperará em vão;
para você as encruzilhadas parecem muito amplas,
mas há um Janus, vigiando você, nos quatro cantos.
Há uma entre todas tuas memórias
que agora está perdida além da evocação.
Você não será visto descendo àquela fonte,
seja à luz do sol claro, nem sob a lua amarela.
Você nunca recapturará o que o Persa
disse em seu idioma tecido com pássaros e rosas,
quando, ao pôr-do-sol, antes que a luz disperse,
você quer pôr em palavras tanto inesquecível.
E o Rhone fluindo sem parar, e o lago,
todo esse vasto ontem sobre o qual me curvo hoje?
Estará tudo tão perdido como Cartago,
queimada pelos romanos com fogo e sal.
Jorge Luis Borges
domingo, 14 de outubro de 2007
We’re Way Behind
sábado, 13 de outubro de 2007
We're Inside
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Untitled - III
As pessoas fora de hora
Aves migratórias
no espaço tão longe
vão buscar o que faltou
nos corações dilacerados
pela aventura noturna.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Do Lado De Cá - Parte 2
República dos bacharéis
Um exemplo recente dá bem a idéia do que quero dizer. Numa rara iniciativa elogiável, o Senado Federal aprovou no final do ano passado dispositivo que simplificava as separações consensuais de casais sem filhos menores, dispensando-as de passar pelo crivo do Judiciário. Bastaria um registro público em cartório para consolidar a dissolução do matrimônio. (Podemos é claro nos perguntar por que diabos alguns ainda insistem em informar o Estado de que pretendem viver juntos, mas essa é uma outra questão). Era uma medida desburocratizante, simplificadora e que ainda contribuiria para aliviar a enorme carga de processos que atola a Justiça brasileira. Foi, portanto, rapidamente deturpada.
Por intermédio do deputado e advogado Maurício Rands (PT-PE), a república dos bacharéis conseguiu introduzir uma emenda que obrigou as partes a contratarem os serviços de um advogado. Com isso, a separação se tornou um pouco menos simples e mais cara. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não teve a coragem de vetar essa excrescência, de modo que o projeto acabou sendo aprovado com a alteração ditada pelo lobby da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). No mínimo, a norma viola o princípio da razão suficiente: se não é necessário consultar um advogado para casar-se, tampouco deve ser obrigatório ouvir um na hora de dissolver a união por comum acordo. Mas é melhor eu parar antes que alguém tenha a idéia de fazer uma lei tornando necessária a presença de advogados em altares e dosséis.
Parece brincadeira, mas não é. Entre outras maldades que a OAB já tentou impingir ao cidadão está a necessidade de constituir advogado até para ir aos tribunais de pequenas causas e juizados especiais. O golpe constava do Estatuto do Advogado, a lei nº 8.906/94, bolada pela ordem e sancionada pelo Congresso Nacional. Só não se converteu em realidade porque, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.127, movida pela Associação dos Magistrados do Brasil, o Supremo Tribunal Federal considerou nulo o dispositivo legal que tornava privativo de advogados "a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais" (art. 1º, I). A expressão "qualquer" é que foi julgada inconstitucional. Ou seja, não foi uma vitória completa, pois continua havendo instâncias em que o cidadão não pode representar a si mesmo, sendo legalmente compelido a procurar um advogado. A dispensa do profissional só vale em juizados especiais, na Justiça do Trabalho e em ações de "habeas corpus".
Não me entendam mal. Acredito no velho ditado segundo o qual "a man who is his own lawyer has a fool for a client" (o homem que advoga por si próprio tem um tolo por cliente). Quero, entretanto, ter o direito de fazê-lo, ainda que não pretenda exercer tal prerrogativa. O que está em jogo aqui são os próprios pressupostos da República. É absurda a idéia de que eu possa escolher, pelo voto, as principais autoridades do Executivo e os membros do Parlamento, que escreverão e aplicarão as leis do país, mas seja considerado incapaz de representar apenas a mim mesmo diante de um juiz. Pior ainda é que isso ocorra por força de pressões escancaradamente corporativistas de uma associação profissional.
De resto, todo o pleito da OAB repousa sobre uma base logicamente frágil. O que a Constituição diz em seu artigo 133 é que o advogado é "indispensável à administração da justiça". Eu próprio concordo com a assertiva. Não sou capaz de vislumbrar um sistema judiciário no qual inexistam advogados. Mas isso de maneira alguma implica que eles devam ser onipresentes. A própria Carta é explícita ao afirmar que todos --o que inclui menores de 18 anos e estrangeiros--, têm o direito de peticionar "em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder" (art. 5º, XXXIV). A doutrina corrente limita o escopo dessa injunção ao "habeas corpus". De minha parte, considero que qualquer ação judicial tem a ver a com a defesa de direitos.
Também se chega à mesma conclusão pela via do absurdo. Um cidadão pode, com base no Código do Consumidor, recusar um por um todos os advogados que lhe sejam apresentados. Ora, se esse putativo indivíduo for levado a julgamento e não puder representar-se, terá prejudicado seu amplo direito à defesa, hipótese que a Constituição não admite. A possibilidade de auto-representação mesmo em ações penais torna-se assim, "ex fortiori", uma necessidade lógica.
Diga-se em favor dos advogados que colocar os interesses da categoria à frente dos da população não é exclusividade sua. Na mesma senda caminham notários, médicos, engenheiros, jornalistas, políticos. O problema é que, no Brasil, qualquer grupo que tenha um mínimo de organização obtém sucesso senão em todos os pleitos ao menos em parte deles. O resultado é uma miríade de leis e regulamentos que, afora atender às demandas corporativas, só servem para frustrar direitos e dificultar a vida.
Uma demonstração eloqüente dos excessos burocráticos foi dada na semana passada pelo Banco Mundial, que divulgou a versão 2008 de seu já clássico relatório "Doing Business", no qual faz o ranking dos países que oferecem melhores condições para empresários. Pela quinta vez consecutiva, o Brasil faz péssima figura. Ficou em 122º lugar entre as 178 nações avaliadas. Por aqui, abrir um negócio cobra 152 dias perdidos com procedimentos legais e correspondente papelada. Na Austrália, bastam 2. A média dos países desenvolvidos (OCDE) é de 15 dias. Só não nos saímos pior do que Congo, Guiné-Bissau, Suriname e Haiti. E isso provavelmente porque o Haiti se encontra sob ocupação de tropas brasileiras.
Hoje eu centrei fogo nos advogados, mas críticas semelhantes podem ser feitas a praticamente todas as categorias profissionais. É claro que defender interesses de classe é legítimo. Os problemas começam é quando organizações como a OAB se tornam maiores do que sindicatos --que é o que deveriam ser-- e passam a acumular poderes desproporcionais, como o de indicar juízes, escrever leis, propor ações diretas de inconstitucionalidade, definir quem pode e quem não pode tornar-se advogado. É preciso depurar o Estado das pressões corporativas que o tomam de assalto, ou ele jamais poderá atuar de forma republicana.
Do Lado De Cá - Parte 1
A nova novela é velha
Escrevi aos 16 anos meu primeiro texto para a mídia impressa. Era uma carta endereçada à "Veja" reclamando de uma edição de agosto de 1981 que trazia Regina Duarte na capa. Xingava a revista porque, naquela semana, meu ídolo Glauber Rocha tinha morrido. Como a maior revista do país não percebia que a morte de Glauber era muito maior que qualquer personagem de Regina?
A carta não foi publicada, e penso que a revista faria a mesma opção de capa hoje, por motivos razoáveis.
A longevidade e a centralidade das telenovelas é impressionante. Desde o "Direito de Nascer", em 1964, elas dominam e moldam nossa indústria do entretenimento. O gênero não nasceu no Brasil. No começo, importávamos e adaptávamos textos mexicanos e argentinos, que eram redigidos não por autores contratados pelas emissoras, mas em agências de publicidade tuteladas por patrocinadores como Gessy Lever e Colgate-Palmolive.
Em poucos anos as telenovelas já lideravam a audiência no país, e nossos autores e homens de TV deram o pulo do gato: abrasileiraram os dramalhões latinos, introduzindo nossa peculiar realidade social.
A estrutura dos folhetins, porém, continua igual, com os mesmos enredos e tramas, fincados nos romances do distante século 19, envolvendo paternidades trocadas, cinderelas ascendentes, vigaristas cínicos, heroínas ingênuas.
Mas a esse rígido receituário foram sendo acrescentados o espírito da época, a história do ano, alguns dos grandes temas da agenda nacional. O esmero na arte telenovelesca, que tornou o Brasil o maior exportador mundial do produto, garantiu seu reinado absoluto na cultura popular do país. E já se passaram quatro longas décadas.
É um paradoxo. Autores como Janete Clair e Dias Gomes e atores como Lima Duarte e Tony Ramos consolidaram uma dramaturgia nacional, mesmo que pobre, e levaram a telenovela a registros de alta qualidade dentro do gênero, seu estado da arte. Mas sua dominação sobre nossa produção cultural, principalmente a audiovisual, nos empobrece.
A novela é antes de tudo um produto comercial, como, digamos, uma pasta de dente. Ela tem de dar lucro, muito lucro. É sua prioridade única, o resto é enfeite.
A TV Globo orbita em torno do drama das oito. Se a novela vai bem, a emissora vai bem. E, ao contrário das sitcoms semanais que dominam a audiência nos EUA, a telenovela é diária. Enquanto CBS, NBC e ABC têm cinco seriados por semana para cativar o público americano e, com ele, os anunciantes, a Globo só tem um tiro, a novela das oito. Ele tem de ser certeiro, e para isso vale tudo, com pressão enorme sobre seus autores e diretores, boa parte enfartada.
Não há como fazer a novela girar em torno de prioridades artísticas, apesar da enorme boa vontade de alguns críticos culturais. Ela sai a toque de caixa. Assim, na média, a luz vem chapada, o texto, sofrível, o desempenho dos atores, risível. Não pode ser diferente. As condições de produção impõem a mensagem.
Numa brava e histórica entrevista à Ilustrada, em março de 2006, Lima Duarte desabafou:
"É duro fazer novela. Está cada vez mais cansativo. Estão escrevendo a mesma história há 40 anos. Faço o mesmo personagem, e o público chora a mesma lágrima, no mesmo horário. Mas o povo não deixa mudar".
Quando pensei em escrever sobre a recente troca de bastão na novela das oito, de "Paraíso Tropical" para "Duas Caras", meu espírito era limaduartiano, de revolta contra os telenovelixos e sua intrínseca precariedade.
Mas alguma leitura e uma amiga, Heloisa Pait, Ph.D. pela New School de Nova York e professora da Unesp, me apontaram méritos inegáveis das telenovelas brasileiras, como a transmissão de alguma cultura aos menos educados e de um sentimento de coletivo aos telecidadãos com menos oportunidades de instrução e inserção. A eles a novela pode acrescentar.
Mas é constrangedor ver essa multidão de diplomados e bem instruídos, incluindo os que lêem este texto, mamar também nas tetas bregas de Gilberto Braga e cia, gastarem uma hora por dia, seis horas por semana, mais de 300 horas por ano com as peripécias de Bebel e Antenor.
A boa notícia é que a audiência da novela das oito declina, enquanto explode a penetração de computadores (e, com eles, da internet) nos lares brasileiros. Daí virá a revolução, que não será televisionada.
A telenovela não deve ser tudo isso no Brasil. O país precisa ser maior que elas, tirá-las do horário dito nobre. Desligue sua TV hoje na hora da novela e faça qualquer outra coisa.
Vai ser melhor para você.
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
The Genius Of C. Kaufman
- OK.
- Mesmo?
- Não sou um conceito, sou só uma garota ferrada procurando por paz de espírito. Não sou perfeita.
- Não vejo nada que não goste em você.
- Mas verá.
- Agora eu não vejo.
- Você vai achar coisas. E eu vou ficar entediada e me sentir presa, pois é isso que acontece comigo.
- Tudo bem.
- Tudo bem? Tudo bem! Tudo bem...
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Confessionário De Manoel Gomes
na montanha solfejar.
Por quê? Olha assim?
Tenho apreço pelos ratos-capitais
rolando na grama verdejante
do seu jardim.
Um dia próspero às façanhas
das quais nada sei
de cor:
só o desperdício de sol
vociferando, ardente,
pela paisagem que me conduz
ao esmo.
Porque afinal a fantasia
me doma as picardias
de verão tão preguiçoso:
à espera de brisa
e engenharia
que ponha os sonhos de pé.
sábado, 29 de setembro de 2007
Untitled - II
com a vontade urgente
de trazer ao corpo
o que passa aqui dentro
antes que a pele morta
deixe a carne exposta
à fragilidade da luz.
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Black Paintings
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Janet Out Of Janet
nos seus lábios rosados,
o que poderia sentir?
Neste céu agreste
que desenho em sua boca
(com o traçado imaginado)
para a hora de fugir.
Porque a queixa da instância
revela-se um passado misterioso
que antevejo no seu destino
e farta-se a consigo sorrir:
sua forma de prazer
que de maneira muito própria
expõe-se em breve, por vir.
domingo, 23 de setembro de 2007
Speech: Take 3
e tu?
Rafael - diz:
dediquei meu dia ao ócio.
Rafael - diz:
nem terminei o livro que estou lendo. mesmo faltando só 40 páginas
- Caroooool - diz:
aquele enoooorme?
Rafael - diz:
sim =)
Rafael - diz:
tô triste por estar perto do fim.
Rafael - diz:
tipo, me apeguei muito aos personagens
- Caroooool - diz:
hauahauahauahauaauahauahaua
- Caroooool - diz:
cara, acredito não xP
- Caroooool - diz:
só tu mesmo.. tem livro que eu gosto, mas tem hora que não agüento mais ler
Rafael - diz:
ah, mas depois de 405 páginas não tem como não criar um vínculo com os personagens... Tornam-se próximos, parecem pessoas que me passam a sensação que as conheço muito bem.
- Caroooool - diz:
e o livro deve ser muito bom tb ^^
Rafael - diz:
demais
Rafael - diz:
Ian McEwan é o cara
- Caroooool - diz:
não conheço, mas se você diz.. eu confio ^^
- Caroooool - diz:
esse ano só li coisas relacionadas ao budismo..
- Caroooool - diz:
Rafael - diz:
que coisa boa
Rafael - diz:
minha religião é apagada de conceitos estudados
Rafael - diz:
só os vividos
- Caroooool - diz:
é.. tem um ensinamento de Buda que ele fala pra você não se prender as tradições.. aos textos.. as escrituras sagradas.. e tal
- Caroooool - diz:
gosto disso
- Caroooool - diz:
mas ainda acho indispensável estudar
Rafael - diz:
sempre é.
Rafael - diz:
só nunca pensei em encarar minha religião como fundamento intelectual.
- Caroooool - diz:
assim.. tua religião tem nome ou você a fez.. seguindo os teus princípios e crenças?
Rafael - diz:
minha religião, em tese, é a católica. não só por criação como por opção, mesmo. mas não compactuo com a maioria de seus preceitos
- Caroooool - diz:
entendo =T
- Caroooool - diz:
não me considero mais católica..
- Caroooool - diz:
mas tb não sou budista
- Caroooool - diz:
enfim.. tô numa fase de conflito
Rafael - diz:
acho que a humanidade caminha para isso
Rafael - diz:
cada homem vai buscar sua própria fé
Rafael - diz:
cada um vai se apropriar dos preceitos com os quais sente uma ligação, os quais encare como Verdade
- Caroooool - diz:
é.. vai ficar uma mistureba
- Caroooool - diz:
hauahauahauaahauahauaha
Rafael - diz:
uma miscelânea
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Untitled - I
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Concepção - Parte 2
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Concepção - Parte 1
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Lonely Horses
domingo, 19 de agosto de 2007
Then Life Ain't Worth The Drown
nos objetos da casa
é possível sentir através das portas
os ossos duros do mundo,
movendo-se com lentidão.
Não reconhecem mais a si próprios,
e como as dobradiças enferrujadas,
rangem sua dor surda -
privados do sono que os guia.
(As portas trancadas não revelam
a memória que se abre
para as outras portas do mundo.)
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
A Thing Of Beauty Is A Joy For Ever
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
The Lines That Never Fails - Parte 3
The Lines That Never Fails - Parte 2
The Lines That Never Fails - Parte 1
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Véspera
de seus dias sem causa,
traz as memórias de minha infância
em sua carne.
Memórias miúdas, passadas em lugares
que já nem sei bem haverem
como eu os imagino nesta idade de hoje.
Se os passeios da mesma forma se foram,
esta verdade não me interessa mais.
O que eu ainda revisito,
como o rio insone e a praça da igreja,
levam meus olhos para outro tempo:
seguem estreito pela margem das gentes
até onde, o homem sendo feito,
torna à boca uma sensação
um pouco amarga.
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Bem Vindo Ao Mundo, Porque É Assim Que Ele É
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Estampas De Rua
não pára a vida, pára a via.
automóveis à velocidade da luz
não se movem na idéia que reduz
à própria velocidade a que faz jus.
tanto desapego no trânsito
transitório que transita na contra-mão.
ainda ouve-se o grito: não!
era noite ainda, quase dia
quando os gestos num exílio de contento
encaminharam-se para a partida,
levados pelo vento...
domingo, 12 de agosto de 2007
A Chuva Cai No Pára-Brisa Do Carro Quando Estamos Longe de Casa
sábado, 11 de agosto de 2007
Coisas Acontecem [Sumire No Céu Com Diamantes]
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
We've Seen The Damage Of Gossip And True Lies - Parte 2
We've Seen The Damage Of Gossip And True Lies - Parte 1
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Como O Rio Moldau Na Primavera - Parte 2
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Dylan For The Lovers
E A MORTE NÃO TERÁ CONTROLE
E a morte não terá controle.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
com o homem no vento e na lua do poente;
quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
hão de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão de ressurgir;
mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
e a morte não terá controle.
E a morte não terá controle.
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte não terá controle.
E a morte não terá controle.
Não hão de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenhuma flor
erguer a sua corola em direção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte não terá controle.
Dylan Thomas
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Como O Rio Moldau Na Primavera - Parte 1
Jessie Sholl*
sábado, 4 de agosto de 2007
Bad Actors With Bad Habits
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
You'd Probably Laugh And Say That We Were Worlds Apart.
"SILVANA ARANTES da Folha de S. Paulo
Os dois são advogados, mas vivem em mundos diferentes. Enquanto Perelman "pai" (Arturo Goetz) defende suas causas --abusando do charme e dos favores que fazem mover a burocrática máquina judiciária--, Perelman "filho" (Daniel Hendler) ensina direito com "d" maiúsculo na universidade.
A aproximação entre a teoria e a prática (ou entre as duas gerações dos Perelman) acontece depois que o "filho" torna-se pai também.
É quando "As Leis de Família", quinto longa do diretor argentino Daniel Burman, 33, que estréia hoje no Brasil, encontra sua questão central, que o cineasta descreve assim: "Em que nos transformamos quando nos tornamos pais? E o que fazemos com nossos próprios pais nesse momento?".
A indagação sobre a família não é nova na obra de Burman. Ela é o tema dos anteriores "Esperando o Messias" e "O Abraço Partido", que deu a Hendler o troféu Urso de Prata de melhor ator no Festival de Berlim.
"Não há muitos outros temas além da família, porque ela é um microcosmos onde estão representadas todas as razões do mundo", afirma Burman, em entrevista à Folha, por telefone, de Buenos Aires.
O diretor reconhece que sua obsessão cinematográfica pelas relações familiares pode ser associada a um cinema conservador, mas discorda dessa classificação para seus filmes.
"Se, um dia, as relações familiares tiveram a ver com uma arte conservadora, hoje, falar das relações familiares é algo totalmente alternativo e transgressor. Hoje em dia, casar-se, ter filhos, criá-los e tentar sobreviver numa vida em família é um ato heróico que cada vez menos gente tenta praticar."
Um refexo da vida que levamos ou da que fugimos?
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Forma
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
3:34 pm
terça-feira, 31 de julho de 2007
See You In The End Of The World
pelos pais de nossos pais
ganha coloração amarela
pelos dias que passaram.
Já se faz um sangue ralo,
sem densidade ou força:
resta numa pequena poça
entre seus pés.
O que farão seus filhos por você?
O que porão pela eternidade,
assustados e cientes da carne frágil
que cobrirá seus ossos então?
Quando a pele findar
e nossas vergonhas tornarem-se
casca dura de árvore,
eles perceberão:
A dor de nossas glórias
encobrindo a franqueza das derrotas
a que impusemos o orgulho,
guardado para a morte serena.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
A Carioca - Parte 2
sexta-feira, 27 de julho de 2007
A Carioca - Parte 1
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Mixtape
quarta-feira, 25 de julho de 2007
She Took My Soul
terça-feira, 24 de julho de 2007
Our Bloody King
[numa caixa.
Ásia distante da terra
me desperta com uma tristeza
[profunda
e sem nome
a separar grãos do pastoral vazio.
E ri; como ri da minha ventura
com a graça que nunca tive
[na infância
inventada dentro de mim.
Não via o tempo de inverter
papéis neste teatro de trapos velhos
em que se conquistou quase nada.
Com a minha monta
quero apenas partir contra a luz
margeando leitos secos
separado da matança da voz.
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Limited Edition
domingo, 22 de julho de 2007
Caos
Mas o meu caso era ainda pior: não havia quem cedesse a meu favor. Caminhava observando esse espetáculo silencioso sobre minha cabeça e pensava no quanto estaria certo sobre isso. Rostos passavam por mim sem assumir traços singulares: todos formavam uma massa vulgar que exalava descrença e piedade, despertando um aborrecimento cada vez maior. Vislumbrava como seria atrativo se pudéssemos parar o tempo e trazer à tona as alegrias da infância há muito enterradas. No entanto, quando minhas abstrações iam mais fundo no espírito inquieto, voltei à realidade por um chamado exterior. Era o Vieira.
“Onde você estava, afinal?”
“Pensando em minha próxima peça.”
“Escute, temos um problema muito sério para resolver.”
“Talvez perderemos o patrocínio para o evento da semana que vem.”
“Como sabe?”
“O Prado me ligou ontem, estava muito embaraçado.”
“O que pensa em fazer?”
Na verdade, não pensava nisso. Não me importava mais se poderia ou não continuar com as montagens itinerantes pelo centro da cidade. As pessoas não paravam para assistir, mesmo; apenas mendigos se aproximavam e, assustados com minha arte experimental, desistiam do primeiro contato e logo se afastavam. Prado agüentou o quanto pôde; não o culpo pelo que aconteceu.
Para um dramaturgo, é essencial que questões existenciais habitem seu corpo, porém, para uma pessoa comum, é ainda mais imperativo que se livre delas em troca de uma vida possível. O teatro sustenta-se nessa dualidade e aquele que se propõe a fazê-lo deve levá-la ao extremo, colocando o público em contato com sua própria natureza. Agora percebo que não estava preparado para isso. Apenas uma parte de minha frustração.
sábado, 21 de julho de 2007
Sobre Ana
Filmes Na Noite Escura
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Speech: Take 2
o conhecimento gera dor e incompreensão
cum diz:
mas você estaria vivendo na escuridão.. seria um cego..
Rafael - [The love you make] diz:
quanto mais se sabe, menos se entende o que nos cerca
cum diz:
mas através do conhecimento você aprende a lidar com a dor
cum diz:
saca? ;D
Rafael - [The love you make] diz:
nop
Rafael - [The love you make] diz:
eu discordo
cum diz:
acho que eu sou masoquista
Rafael - [The love you make] diz:
ou eu é que falo por meio de minhas experiências
Rafael - [The love you make] diz:
a vida não é igual para todos
cum diz:
vero.. mas não gostaria de viver na ignorância.. =/
cum diz:
sou mais um sofrimento sincero do que um uma alegria fingida
Rafael - [The love you make] diz:
a alegria pode ser sincera quando não sabemos o que há por trás dela. não é uma questão de relevar os fatos.
cum diz:
ai ai
cum diz:
a gente tah viajando
Rafael - [The love you make] diz:
nada
Rafael - [The love you make] diz:
a gente está "debatendo idéias"
cum diz:
vero
cum diz:
vou rebater seu argumento ;D
cum diz:
a 'mentira' não é verdade por nós acreditarmos que ela é verdadeira..
cum diz:
isso seria egocentrismo
cum diz:
sacA?
Rafael - [The love you make] diz:
eu prefiro pensar mais como um instinto de sobrevivência
cum diz:
ahn
cum diz:
como assiiiiiiiiiiiiiim?
Rafael - [The love you make] diz:
você pensa em si para poder escapar dessa
cum diz:
mas você pensando em você estaria mentindo pra si mesmo.. pq ao fazer isso, você estaria sabendo que está vivendo na ignorância
cum diz:
você estaria sofrendo.. tendo um pouco de conhecimento.. sem saber o que fazer..
cum diz:
se tah no inferno, abraça o capeta \o
Rafael - [The love you make] diz:
até quando podemos suportar esse tipo de situação? a conveniência tem um limite. e como lidar com essa consciência de fracasso e/ou perda?
cum diz:
pois é..
cum diz:
acho que seria o caso de pensar que nada é imutável..
cum diz:
tudo está sujeito a transformações..
Rafael - [The love you make] diz:
então.
Rafael - [The love you make] diz:
você não pode estigmatizar o conhecimento como algo louvável em todos os aspectos.
Rafael - [The love you make] diz:
é oportuno pensar como certas coisas precisam ser deixadas para trás de alguma forma.
Rafael - [The love you make] diz:
sem que tenha sido "processada" por nós
cum diz:
mas eu acredito quê quando se tem consciência da 'mutação' em que nossas vidas se encontram é mais fácil processar a perda.. é isso.. você ter noção que nada vai permanecer igual o resto da vida
Rafael - [The love you make] diz:
eu entendo... mas nem sempre a razão segue regras compreensíveis por nós.
cum diz:
mas quem controla a razão somos nós, diferente dos sentimentos.. apesar, destes na minha opinião serem 'rebeldes sem causa'. enquanto a razão tenta 'dominá-los' e em boa parte do tempo, consegue
Rafael - [The love you make] diz:
será?
cum diz:
eu acredito..
Rafael - [The love you make] diz:
controlamos a razão ou nos deixamos acreditar por isso?
cum diz:
hmmm..
cum diz:
controlamos a razão..
cum diz:
pq se fosse o contrário, 'quem' seria ela?
cum diz:
quem teria preestabelecido a 'razão'?
cum diz:
sei lá
cum diz:
meio estranho
Rafael - [The love you make] diz:
quem teria preestabelecido a 'razão'? oras, o estado de ordem que o ser humano tem dentro de si desde os primórdios, como prova a filosofia grega, para que a existência seja palpável e tolerável.
cum diz:
ai ai ai
cum diz:
e que estado de ordem seria esse?
Rafael - [The love you make] diz:
questões pré-estabelecidas, cabíveis em nosso estado de evolução quanto à lidar com o mundo, com nós mesmos.
cum diz:
hmmmm
cum diz:
ai que entra aquele lance de comer gente é errado???
cum diz:
rsrsrs
Rafael - [The love you make] diz:
sim.
cum diz:aaaaahh
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Speech: Take 1
sim, e a photo? não volta atrás, não?
Mariane diz:
eu preciso recuperar a paixão pela minha imagem antes heheh
Rafael - [As pessoas só conseguem, quando muito, enxergar a si mesmas] diz:
seu egocentrismo está de férias, então.
Rafael - [As pessoas só conseguem, quando muito, enxergar a si mesmas] diz:
sabe quando você está triste e um disco acaba salvando sua vida?
Rafael - [As pessoas só conseguem, quando muito, enxergar a si mesmas] diz:
pois é.
Rafael - [As pessoas só conseguem, quando muito, enxergar a si mesmas] diz:
abençoado seja o rock 'n' roll.
Mariane diz:
sei como é
Rafael - [As pessoas só conseguem, quando muito, enxergar a si mesmas] diz:
me sinto uma pessoa iluminada por gostar disso
Mariane diz:
nao é todo mundo que tem essa capacidade de absorver a música
Rafael - [As pessoas só conseguem, quando muito, enxergar a si mesmas] diz:
tantas almas perdidas, que se venderam pro diabo com o axé, forró e coisas piores.
Mariane diz:
eh...
Rafael - [As pessoas só conseguem, quando muito, enxergar a si mesmas] diz:
e eu aqui, com o OK Computer debaixo do braço e um estado de espírito mais elevado.
Mariane diz:
o Ok computer me deprime um pouco
Rafael - [As pessoas só conseguem, quando muito, enxergar a si mesmas] diz:
mas quando você está deprimido, sente como se alguém imaginário o entendesse e acaba se sentindo melhor.