quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Dylan For The Lovers

Quando assisti o filme Solaris (na versão protagonizada pelo Clooney), uma poesia, que era meio como um código secreto entre seu personagem e sua esposa, chamou minha atenção. Tratava-se de uma peça escrita por Dylan Thomas, entitulada "E A Morte Não Terá Controle". Foi a partir do filme que procurei ler e conhecer melhor a vida e os textos desse genial poeta galês, um dos meus preferidos na literatura inglesa. Abaixo apresento o poema, e recomendo a leitura de toda sua obra. Vale a pena.

E A MORTE NÃO TERÁ CONTROLE

E a morte não terá controle.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
com o homem no vento e na lua do poente;
quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
hão de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão de ressurgir;
mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
e a morte não terá controle.

E a morte não terá controle.
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte não terá controle.

E a morte não terá controle.
Não hão de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenhuma flor
erguer a sua corola em direção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte não terá controle.

Dylan Thomas