quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Concepção - Parte 2

Fui aprendendo a distinguir o peso do céu no final da tarde à medida que assimilava o sentido de perda em minha vida. Em como me expunha fácil... E usava palavras fora do meu caráter. De que modo seria mais coerente comigo? Como deixaria o demônio longe com suas provocações? Na perspectiva do tempo, eu estaria três ou cinco anos mais velho por dentro do que tudo o que acontecia do lado de fora. Isolado numa fortaleza de enganos contínuos e precipitações, era acuado pela realidade que soprava sobre os muros, às vezes por horas seguidas. Mas o desejo de escapar sem os horrores vicejantes na pele era implacável, e eu passava mais uma noite em sono profundo. Desejo vão. Inconscientemente, dormia até de mim, para acordar tomado pela surpresa que as experiências são sempre maiores do que vemos através dos olhos: é preciso ir além de si; sem medo.

Nenhum comentário: