segunda-feira, 30 de julho de 2007

A Carioca - Parte 2

A pior parte é quando parecemos crianças assustadas. Lia sobre o niilismo quando o telefone finalmente tocou. Minha ansiedade se entregava fácil nos gestos que ela não via; o sotaque carioca dela continuava estampado na voz, aquela coisa que o Sabino falou, de quem pede "doish cocosh", mas atenuado. Percebi que o jogo estava em suas mãos, e todos os filmes que comentou eram só distração para ouví-la mais. Eu ia dizer (como fiz) as bobagens que me passavam pela cabeça, e as novidades do dia eram surpresa para quem não entendia meu feedback. O disco novo do White Stripes? Oh, sim, estou ouvindo, para lembrar dos corvos que nunca mais me sairiam da imaginação como aves sinistras que Poe escreveu para atormentar sua caminhada nessa terra devastada. No cinema, a grama verde é na verdade sintética. Por isso eu odeio o lugar tanto quanto ela. Por toda a ilusão que nos distancia das pessoas tão fechadas em si, tão caretas... E que não conhecem, de verdade, a carioca que sonha em rever o sol dos trópicos.

Um comentário:

Bequi disse...

Padrinho, toh aqui emocionada. Sem comentarios. Liiiindo demais. Nem sei o que dizer. Brigada. Te adoro mto. Bjos =*